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Construção resiste à pandemia mas investimento público é imprescindível

02 de Junho de 2020 às 13:56:51

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Economia

O impacto económico do estado de emergência, na sequência do surto de COVID-19, é ainda de difícil mensuração, mas reflete-se já nos mais recentes valores dos indicadores disponíveis, quer relativos à economia em geral, quer referentes ao setor da Construção.

Na sua mais recente análise de conjuntura sobre o Setor, a AECOPS e a AICCOPN referem que, segundo o INE, o PIB terá registado, no primeiro trimestre de 2020, uma queda homóloga de 2,4% e uma redução de 3,9%, face ao último trimestre de 2019, e salientam que não se verificava uma variação homóloga negativa do PIB desde o 3º trimestre de 2013.
No setor da Construção o impacto é medido pelos resultados do Inquérito Rápido e Excecional às Empresas - COVID-19, promovido pelo INE, apurados na semana de 20 a 24 de abril, ou seja em pleno estado de emergência, e que indicam que: 8,5% das empresas de construção suspenderam temporariamente a atividade ou encerraram definitivamente; 62,9% registaram uma redução no volume de negócios; e 45,0% reduziram o número de pessoas efetivamente a trabalharem.
Em termos quantitativos e também segundo o INE, a produção registou, no primeiro trimestre do ano, uma queda, ainda que ligeira, o que não se verificava desde o final de 2016.
Também os resultados do Inquérito ao Emprego apontam para uma redução de 2,1%, em termos homólogos, do número de trabalhadores do setor da construção, que rondaram os 302 mil até março de 2020, ou seja, menos 6,5 mil do que no trimestre homólogo de 2019.
Relativamente à procura dirigida ao Setor, é de assinalar, em termos acumulados até ao último mês para o qual existe informação disponível, a manutenção de níveis positivos de intenção de investimento, quer público quer privado.
No entanto, a análise mensal de março revela já quebras significativas, face à média dos dois meses anteriores, nas licenças emitidas para fins residenciais e não residenciais e no mês de abril, os valores dos concursos abertos e dos contratos celebrados no mercado das obras públicas caíram, respetivamente, 49% e 18%, comparativamente aos valores médios mensais apurados no primeiro trimestre do ano, apesar de, em termos homólogos acumulados, se manterem variações positivas, de 30,2% e 10,5%, respetivamente.
Neste quadro, e embora atrevesse, tal como outros setores económicos, um período difícil e incerto, a Construção regista um menor impacto imediato sobre a sua atividade, uma vez que a declaração do estado de emergência não determinou a suspensão das obras, a exemplo do que se passou em outros países. A evolução do Setor dependerá, agora, das medidas de recuperação económica que vierem a ser adotadas, as quais terão que passar por um aumento significativo do investimento público.

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