Em Portugal e no primeiro semestre do corrente ano, a queda na produção do segmento de Engenharia Civil foi bem superior à da Habitação, a avaliar pelos dados da análise regional de conjuntura da AECOPS, agora divulgada.
Assim e enquanto o número de fogos novos licenciados para habitação caiu 13,3% nos primeiros cinco meses do ano e em termos homólogos, já o número de concursos adjudicados recuou 46,2% no primeiro semestre. Em valor, a queda foi bem mais acentuada (-60,1), com as regiões do Algarve, do Alentejo e de Lisboa a superarem a média nacional (-73%, -67% e -68%, respectivamente).
Também foi no Sul do País que se verificaram as maiores descidas na produção de novos fogos residenciais: -40,5% no Algarve e -28% no Alentejo, contra -1,9% em Lisboa e +11,5% no Centro. Daí, explica a AECOPS, o aumento constante do número de desempregados no Sector que, em finais de Maio, era superior a 75.000, com especial incidência no Algarve, onde o acréscimo foi de 58,3% (22,0% em média nacional).
Maior pessimismo
Como refere a AECOPS na sua análise regional de conjuntura, a Engenharia Civil “é o único segmento de actividade sobre o qual as opiniões relativas à actividade das empresas se revelam, actualmente, mais desfavoráveis do que há um ano atrás”.
Até os empresários do Algarve manifestam-se hoje mais pessimistas para o segmento das obras públicas do que para o residencial: -74%, contra -29%.
A par com a redução muito forte da procura em todos os mercados da Construção, os empresários defrontam-se ainda com o difícil problema dos atrasos nos pagamentos, que para além de agravar a sua situação financeira, impede ainda investimentos futuros.