31 / Outubro / 2020

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Carteira da Mota-Engil atinge valor recorde de 5,5 mil milhões

31 de Agosto de 2020 às 11:21:36

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O Grupo Mota-Engil registou, no primeiro semestre de 2020, uma diminuição de 14% do volume de negócios, para 1.157 milhões de euros, uma redução do EBITDA, para 144 milhões de euros, e um prejuízo de 5 milhões de euros.

Para este resultado líquido, explica-se em comunicado, "pesou o registo de 16 milhões de euros contabilizados como provisões e perdas de imparidade de modo a acautelar os efeitos negativos provocados pelo contexto de crise sanitária".
No mesmo documento, refere-se também que "o maior impacto [da pandemia de Covid-19] foi sobretudo nos mercados africanos e, de forma ainda mais marcante, na América Latina". Ainda assim, sublinha-se "o valor muito positivo de adjudicações durante o período", o qual representou cerca de 1.300 milhões de euros ao longo do primeiro semestre de 2020, o que permitiu à Mota-Engil registar o maior valor de sempre da sua carteira de encomendas (5.491 milhões de euros, 760 milhões na área do Ambiente). Para tal, foi decisiva a adjudicação do contrato no México referente ao Tren Maya, o maior contrato de sempre atribuído à Mota-Engil na região da América Latina, assim como outros relevantes contratos em Angola, Moçambique, Polónia e Colômbia. 

Negócios crescem na Europa

Relativamente ao desempenho por região merece destaque o crescimento de 12% da faturação na Europa, com Portugal a manter-se em linha com o período homólogo, suportado, sobretudo, por projetos privados na área da Engenharia e Construção, assim como a Polónia, mercado que teve o maior crescimento neste período (+62%), pela execução em linha com o previsto dos projetos angariados em 2019. 

E descem em África e na América Latina
Em África, a empresa registou um decréscimo da sua atividade, de 15%, e uma redução do EBITDA, de 24%, mantendo, ainda assim, uma margem de 18%, ligeiramente abaixo do histórico na região. 
A América Latina foi a zona onde o Grupo teve o maior impacto na sua atividade, com uma redução do volume de negócios em 33% e do EBITDA em 55%, com impacto muito significativo no Peru, em função do lockdown num período alargado, assim como noutros mercados, como o México. 

Investimento de 31 milhões na área do Ambiente 

Ao nível do desempenho financeiro, a Mota-Engil registou um nível de investimento (CAPEX) de 94 milhões de euros (-13 milhões de euros face ao período homólogo), com 65% a dirigir-se a investimentos de crescimento e em contratos de médio e longo prazo, com 31 milhões de euros no segmento de Ambiente (nomeadamente na EGF, com 26 milhões de euros, onde está a ser concretizado o Plano de Investimentos aprovado para o período 2019-2021), assim como nos contratos de mineração em África. Relativamente à dívida líquida, o valor aumentou 34 milhões de euros face a dezembro último, para 1.248 milhões de euros, facto justificado pelo "investimento realizado no período e que pretende, de futuro, gerar um aumento do cash-flow operacional com os novos contratos em áreas fora do negócio da Construção. 

Negociações para venda de 30% das ações do Grupo na fase final

Entretanto, e ao mesmo tempo em que divulgava os resultados do primeiro semestre do ano, a Mota-Engil informou que se encontra na "fase final das negociações de um acordo de parceria estratégica e investimento com um dos maiores grupos de infraestruturas do mundo, com uma atividade significativa a nível mundial", com vista a que este grupo se torne um acionista relevante e um parceiro de longo prazo do grupo português. 
No âmbito do acordo em perspetiva, "a Mota Gestão e Participações, SGPS (MGP), acionista dominante da Mota-Engil, aceitou vender uma participação relevante no capital social da sociedade a um preço que reflete uma valorização que está muito acima do preço atual de mercado". 
Também nos termos do acordo, se concluído com sucesso - "o que se espera que ocorra em breve" - e assumindo que as autorizações do regulador e várias outras condições precedentes serão cumpridas, o novo parceiro "estabelecerá um acordo de parceria e investimento com o Grupo Mota-Engil, para desenvolver em conjunto oportunidades comerciais, e comprometer-se-á a subscrever uma participação relevante num aumento de capital social de até 100 milhões de novas ações, que será submetido brevemente a deliberação em Assembleia Geral. 
Após este aumento do capital social, será imputável à MGP uma participação de cerca de 40% do capital social da Mota-Engil, sinal de total empenho e alinhamento com a sua posição histórica no Grupo, e o novo acionista atingirá uma participação ligeiramente superior a 30%. Esta nova estrutura acionista e o quadro desta parceria, que se baseia na avaliação do grupo de cerca de 750 milhões de euros, irá "reforçar as capacidades financeiras, técnicas e comerciais do Grupo Mota-Engil, a fim de aumentar as suas atividades em todos os mercados e abrir novas oportunidades para novos desenvolvimentos". A Mota-Engil, "enquanto grupo multinacional de infraestruturas líder, reforçará assim o seu compromisso, com base nos seus 75 anos de cultura e valores corporativos, para com os seus clientes, colaboradores, comunidades, ambiente e todos os outros stakeholders", conclui-se num comunicado emitido sobre o assunto.
O grupo português não identifica o novo acionista, mas especula-se no mercado que seja a China Communications Construction Co, que estava a ponderar a compra de uma fatia no capital da construtora.

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