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Alta velocidade Porto - Lisboa vai custar 4,9 mil milhões de euros

29 de Setembro de 2022 às 16:13:18

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O Governo apresentou esta semana o projeto da nova linha ferroviária de alta velocidade entre Lisboa e o Porto, uma obra prevista no Plano Nacional de Investimentos 2030 (PNI 2030) e que tem um investimento previsto de cerca de 4900 milhões de euros até 2030.

A IP-Infraestruturas de Portugal é a entidade promotora do projeto e está desde 2021 a atualizar a documentação técnica existente, estimando que “no primeiro semestre de 2023 sejam lançados os primeiros concursos para contração de empreitadas”.
Segundo a IP, a ligação de alta velocidade entre as duas principais cidades do País tem como objetivos fulcrais “o aumento da capacidade e competitividade do sistema ferroviário, o reforço da conetividade territorial alargada a todo o país e a descarbonização do setor dos transportes”, acrescentando que um dos principais benefícios decorrentes do futuro serviço é a “redução significativa dos tempos de percurso.”
O projeto será concretizado de forma faseada, “ajustada à capacidade financeira do país, garantindo a disponibilidade imediata dos benefícios que a realização de cada uma das fases oferecerá aos utilizadores do transporte ferroviário”, refere ainda a IP.
A Fase 1 compreende o troço entre o Porto e Soure, com um investimento de cerca de 3000 milhões de euros e conclusão prevista em 2028. A Fase 2, entre Soure e o Carregado, tem um investimento estimado de 1900 milhões de euros e deverá estar concluída até 2030.A Fase 3, entre o Carregado e Lisboa, “tem um impacto pequeno no tempo de viagem, pelo que só deverá ser construída mais tarde. Entretanto, o acesso dos comboios a Lisboa far-se-á pela linha do Norte, que será quadruplicada entre Alverca e Azambuja e terá, assim, capacidade para acomodar os serviços de alta velocidade”, afirma por seu turno, o Governo.

Contratação e financiamento 

A IP propôs ao Estado fazer este projeto em regime de concessão para conceção, construção, manutenção e financiamento, tendo fundamentado essa opção num conjunto de análises financeiras, técnicas e de risco. De acordo com o procedimento definido na lei, vai ser constituída uma equipa de projeto com a Unidade Técnica de Apoio a Projetos, que vai verificar, comparando com a alternativa do setor público, se o modelo de concessão é, de facto, a melhor opção para realizar este investimento e preparar, se for caso disso, todos os procedimentos de contratação. 
Para já, serão atribuídos 1000 milhões de euros de fundos europeus do Mecanismo Interligar a Europa para a Fase 1, com possibilidade de se obter financiamento adicional.

Uma linha com 6 estações

A futura linha será em via dupla, adequada para Alta Velocidade, e as atuais estações ferroviárias existentes ao longo do percurso serão adaptadas para acomodar as composições dedicadas à Alta Velocidade. 
Além das estações terminais de Lisboa Oriente e Porto Campanhã, que serão ampliadas, os comboios servirão estações intermédias em Leiria, Coimbra e Aveiro. O projeto prevê ainda a construção de uma nova estação ferroviária em Vila Nova de Gaia.
No caso de Leiria, Coimbra e Aveiro serão utilizadas as estações existentes, que serão também ampliadas e requalificadas. Nestes casos, o acesso às estações faz-se pelas linhas existentes, a linha do Oeste e a linha do Norte, onde serão também necessárias intervenções de aumento de capacidade. No caso de Gaia, trata-se de uma nova estação subterrânea, num local onde os comboios já circularão a uma velocidade mais baixa, por estarem já perto da estação terminal.

Velocidade de 300km/h permite ligação em 1h19

Com a Fase 1 concluída, prevista para 2028, o tempo de viagem deverá reduzir-se das atuais 2h50 do serviço Alfa Pendular para menos de 2 horas. Após a Fase 2, prevê-se que um comboio sem paragens entre Porto Campanhã e Lisboa-Oriente faça o trajeto em 1h19, enquanto um serviço com quatro paragens (Leiria, Coimbra, Aveiro e Gaia) fará o trajeto em 1h45. É expectável que existam tanto serviços diretos como serviços com algumas paragens ao longo de todo o dia. 
A nova linha Porto-Lisboa tem uma velocidade de projeto de 300 km/h. Esta velocidade, explica o Governo, “foi selecionada de entre vários cenários, de forma a permitir um tempo de viagem que seja claramente competitivo com o transporte aéreo e que permita também ligações competitivas entre um leque maior de cidades, que inclui Leiria, Coimbra e Aveiro, mas também Braga, Guimarães, Évora, Faro, Figueira da Foz ou a Guarda, para dar alguns exemplos”.
A nova linha não irá interferir com a existência de comboios rápidos/intercidades na linha do Norte, que continuará a servir as estações que atualmente beneficiam desse serviço.
Quanto ao valor dos bilhetes nos serviços de alta velocidade, essa será uma decisão comercial dos operadores. No entanto, “tendo em conta que os custos operacionais não serão superiores aos atuais, os bilhetes deverão ter um custo médio semelhante ao dos bilhetes do serviço Alfa”, conclui o Governo.

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