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Licenciamento é o principal obstáculo ao aumento da oferta imobiliária

18 de Fevereiro de 2020 às 09:42:25

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Notícias

Mais do que a incerteza quanto à evolução dos preços e da procura, o licenciamento e os custos de construção são os principais obstáculos à atividade de promoção imobiliária.

Pelo menos, é para isso que apontam os mais recentes resultados do Portuguese Property Investment Survey. No inquérito referente ao 1º trimestre de 2020, o processo de licenciamento é considerado como o tema mais preocupante enquanto fator inibidor da atividade de promoção, atingindo um índice de pressão de 95%. Seguem-se os custos de construção (que atingem um índice de 84%) .
Quanto à evolução dos preços e vendas para os próximos três meses, não há um claro consenso entre os promotores. No que se refere aos preços, 72% dos promotores antecipa uma estabilização, mas os outros 28% dividem-se entre perspetivas de evolução positiva e negativa, gerando, assim, um saldo líquido de respostas nulo, ou seja, abaixo dos +3 pontos observados no inquérito anterior. Já no que se refere às vendas, parece haver menor apreensão, com o indicador de sentimento a melhorar de -24 pontos para -8 pontos neste inquérito, embora mantendo-se em terreno negativo, afirma-se em comunicado.
Ainda assim, as preocupações relativas aos constrangimentos da atividade e a incerteza quanto à evolução dos preços e da procura parecem não estar a afetar as intenções de investimento, com 79% dos inquiridos a confirmar intenção de lançar novos projetos e 55% a indicar estar ativamente à procura de terrenos para novas promoções. No inquérito anterior esses indicadores eram de, respetivamente, 75% e 54%.

Lisboa perde investimento para a periferia repertório 

Em todo o caso, há uma alteração no perfil do investimento, com a cidade de Lisboa a perder peso em favor das cidades na sua envolvente, um padrão que contribui para acentuar a redução de quota da reabilitação urbana, que desce de 38% para 29% das intenções de investimento. 
Também nessa linha, entre os inquiridos, a quota de novos projetos estritamente orientados para a procura internacional passou de 43% para 25%, sendo compensada pela subida de 28% para 45% nos projetos que visam ambos os públicos (nacional e internacional). O único segmento que não beneficiou dessa mudança é o do arrendamento. Se no trimestre anterior 69% dos promotores consideravam esse mercado atrativo, essa percentagem caiu para 49%. Este resultado pode eventualmente estar ligado ao aumento do impacto atribuído à instabilidade legislativa e fiscal no leque de obstáculos à atividade, agora apontada por 72% dos inquiridos como um constrangimento importante à realização do potencial de investimento em nova promoção.
Para Hugo Santos Ferreira, vice-presidente executivo da APPII (Associação Portuguesa dos Promotores e Investidores Imobiliários), “(…) apesar dos investidores terem uma perspetiva positiva quanto a 2020, manifestam preocupação com as crescentes dificuldades no licenciamento e enquadramento legislativo. Tais dificuldades vêm prejudicar o objetivo de aumento da oferta no mercado, em particular habitacional, vindo agravar a pressão já sentida em resultado da redução da procura decorrente das recentes alterações legislativas”. 
O Portuguese Investment Property Survey, refira-se, é um inquérito de sentimento e expetativas realizado pela Confidencial Imobiliário junto de um painel de promotores e investidores imobiliários, em associação com a APPII – Associação Portuguesa dos Promotores e Investidores Imobiliários. 

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