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Capital humano determina decisões imobiliárias das empresas

25 de Junho de 2019 às 11:26:58

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Cerca de dois terços dos ocupantes colocam o envolvimento dos colaboradores (68%) e a atração e retenção de talento (65%) no top três dos desafios da estratégia imobiliária das empresas, à frente da redução de custos.

Estes dados constam no estudo Occupier Survey 2019, divulgado pela CBRE, que analisa as respostas de responsáveis pelo imobiliário de mais de 100 empresas.
O estudo demonstra que as pessoas são cada vez mais determinantes na tomada de decisões imobiliárias. No relatório do ano passado, a redução de custos era a principal mobilizadora na estratégia imobiliária das empresas, enquanto o envolvimento dos colaboradores ocupava o quarto lugar. Este ano, a redução de custos caiu para quarto lugar, enquanto o envolvimento dos colaboradores ocupa agora a segunda posição, seguido da atração e retenção de talento no terceiro lugar. Neste contexto, a otimização do capital humano está no centro das decisões das empresas ocupantes. 
Mais de um terço das empresas, resultado que representa o dobro do ano passado, encara a escassez de oferta de espaços de escritórios e a dificuldade em encontrar as competências adequadas como um desafio estratégico. Em linha com os resultados de 2018, a disrupção da tecnologia (36%), a incerteza económica (43%) e o agravamento dos custos (31%) são também considerados grandes desafios pelos ocupantes.
Duarte Cardoso Ferreira, diretor de Arquitetura e Gestão de Projetos da CBRE, afirma que “o desafio enfrentado atualmente pelos ocupantes é perceber como a procura, arquitetura e gestão de diferentes localizações podem funcionar a favor da otimização do capital humano. Estes desafios são ainda mais cruciais em determinadas áreas, especialmente as que precisam de atrair talento digital ou data scientists, que são escassos e cuja procura é grande.

Quatro vetores estratégicos

O Occupier Survey 2019 identifica quatro principais vetores estratégicos através das quais as empresas procuram maximizar a sua proposta de valor através do imobiliário como forma de influenciar e atrair recursos qualificados: procurement e estratégia de fit-out, procura de soluções de espaço flexíveis, estratégia para potenciar a experiência do utilizador e a abordagem tecnológica.
No procurement e estratégia de fit-out, os resultados do inquérito constataram que os ocupantes são cada vez mais influenciados pelas características interiores dos seus escritórios. Quase 60% estariam dispostos a pagar mais 10% por um edifício que oferecesse serviços de apoio diferenciados, de alta qualidade e evoluído em termos tecnológicos.
O estudo refere igualmente que o desejo das organizações por espaços flexíveis continua a crescer, prevendo-se que seja nos próximos três anos 20% maior do que atualmente O uso de espaço flexível como meio de atrair e reter talento subiu 10% em relação ao ano passado. Também um número crescente de empresas está focada na utilização de espaços flexíveis para experimentar modelos de trabalho e ocupação diferenciadores.
No que diz respeito ao potenciar da Experiência do Utilizador, os programas que as empresas desenvolvem procuram satisfazer todas as necessidades dos colaboradores no local de trabalho. Apenas um terço das empresas tem um programa de experiência de utilizador ou planeia introduzir um. No entanto, um terço planeia contratar um responsável para se dedicar a esta área e dois terços pagariam um valor mais elevado por um edifício que disponibilizasse um programa reforçado de experiência de utilizador.
A disrupção tecnológica, particularmente a inteligência artificial e machine learning, são prioridades da abordagem tecnológica. 70% das empresas pretende aumentar o nível de investimento em tecnologia aplicada ao imobiliário nos próximos anos, com um maior enfoque nas pessoas. Os métodos para atingir estes fins, como a contratação de data scientists, são cada vez mais sofisticados, com as empresas a preparem-se para uma vasta gama de abordagens, que incluem o outsourcing de especialistas.
Para Duarte Cardoso Ferreira, “o desafio para as empresas é estabelecer uma abordagem eficaz na definição da estratégia imobiliária mas, no geral, estão a ser feitos esforços no sentido de investir nos melhores ambientes possíveis que permitam tornar as equipas mais eficientes e, sempre que possível, mais felizes”. 
O Occupier Survey conclui ainda que as estratégias relacionadas com as competências dos colaboradores, a adequação dos espaços de trabalho às atividades desenvolvidas e os serviços associados aos edifícios estão a convergir, devendo ser vistas de forma integrada, e aponta a necessidade de haver maior colaboração entre todas as equipas na definição da estratégia imobiliária.


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