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Universidade de Aveiro descobre destino inovador para as cascas de ovo: materiais cerâmicos

06 de Outubro de 2015 às 11:44:49

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Uma equipa de investigadores da Universidade de Aveiro (UA) descobriu um processo que permite utilizar cascas de ovos no fabrico de materiais cerâmicos.

O método, já patenteado, junta a vantagem ambiental à económica. Para além de evitar que as cascas de ovos tenham como destino o lixo, podendo o produtor de ovos vender o material em vez de pagar pelo respetivo transporte para aterros sanitários, o processo também permite que os fabricantes de cerâmica poupem dinheiro, já que o cálcio das cascas é uma alternativa de baixo custo à calcite usada como matéria-prima e cujo processo de extração apresenta uma pegada de carbono elevada.
“Encontrar uma utilização industrial para um resíduo que possui custos elevados para ser transportado e encaminhado para uma unidade de tratamento e substituir uma matéria-prima que é utilizada na pasta cerâmica, a calcite, por algo de composição química semelhante com um preço mais baixo” foram os grandes objetivos pelos quais se pautou José Velho, do Departamento de Geociências da UA.
O investigador encontrou nas cascas a solução óbvia, já que “anualmente são produzidas em Portugal pelo menos 2600 toneladas de resíduo de casca de ovo, cuja composição química é semelhante à calcite e que envolvem um custo para transporte e tratamento nos aterros sanitários de cerca de 122 euros por cada tonelada”.

Qualidade dos cerâmicos inalterável

A preparação para a incorporação das cascas em qualquer material cerâmico, desde pavimentos, sanitários ou louças, tem segredos. José Velho desvenda alguns: “A casca de ovo tem de ser previamente purificada de modo a serem retiradas todas as impurezas [geralmente material de natureza biológica] que prejudicam a eficiência do processo”. Por outro lado, adianta, “a casca de ovo terá de ser micronizada [reduzida a pó muito fino] até uma determinada granulometria [tamanho dos grãos] semelhante à das restantes matérias-primas”.
Os resultados obtidos, explica o investigador, “mostram que a aplicação em meio industrial é possível mas até uma determinada taxa de incorporação, isto é, não é possível substituir 100 por cento da calcite por casca de ovo”. No entanto, e apesar desta limitação “que é comum a muitas situações em que se incorporam resíduos”, há ganhos evidentes a nível económico. “O interesse é maior da parte do produtor de casca de ovo, estendendo-se, com menor grau, para a indústria de cerâmica”, diz o especialista, sublinhando que “não existem custos acrescidos para as indústrias de cerâmica, uma vez que na preparação das pastas, e cumprindo todas as normas requeridas pelas empresas do ramo, se continuam a utilizar os mesmos equipamentos e métodos”.
Quanto à qualidade final dos cerâmicos fabricados com as cascas, José Velho garante que, “até um determinado nível de incorporação, conseguiu-se manter os níveis de qualidade mais exigentes aplicados pela indústria”. No entanto, “como existe alguma margem de manobra”, será possível no futuro “estender um pouco mais a taxa de incorporação sem que se verifique uma perda significativa da qualidade do produto final”.

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