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CERTIEL debateu especificidade das instalações fotovoltaicas em encontro nacional

20 de Março de 2015 às 16:10:02

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Notícias

A Certiel – Associação Certificadora de Instalações Elétricas, reuniu no passado dia 13 de março cerca de meia centena de técnicos, maioritariamente engenheiros eletrotécnicos, num encontro nacional, onde foram debatidos vários aspetos relacionados com as instalações solares fotovoltaicas em contexto doméstico e industrial.

O encontro teve lugar nem Lisboa e permitiu a troca de experiências e know-how entre os participantes sobre o desenvolvimento deste tipo de instalações, tendo em conta aspetos como a qualidade e o tipo dos componentes utilizados, as expectativas de mercado no setor doméstico e das entidades instaladoras face à nova legislação de autoconsumo. 
 UPAC ligadas à rede elétrica

“Ao longo das várias edições destes encontros foi possível abordar temas da atualidade relacionados com a atividade que desevolvemos. Nesta edição, o tema central, escolhido, em parte, pelas alterações profundas que se verificaram neste regime, anteriormente conhecido como micro e mini produção, e agora designado por autoconsumo, está relacionado com a produção distribuída”, explicou Carlos Ferreira Botelho, diretor-geral da Certiel, na sessão de abertura do encontro.   
O primeiro tema em análise esteve a cargo de Renato Marçalo, técnico da Certiel, que apresentou alguns esquemas de ligação de unidades de produção de autoconsumo (UPAC), no âmbito da produção distribuída, bem como o contexto regulamentar nas unidades de pequena produção (UPP) e nas UPAC. Esta apresentação teve como base o trabalho desenvolvido pela Certiel no âmbito da sua participação na CTE 64, do Instituto Português da Qualidade, que consistiu na elaboração de um documento técnico para a produção de energia distribuída de origem fotovoltaica, considerando a comparação de legislação existente noutros países, relativa a UPAC ligadas à rede elétrica em baixa e média tensão. 

A importância dos inversores numa instalação fotovoltaica

Por sua vez, Alexandre Cruz, da empresa SMA Solar Technology AG, destacou a importância dos inversores enquanto equipamento central numa instalação elétrica fotovoltaica, referindo que “não é apenas um conversor de corrente alternada e corrente contínua, não permite só gerir o fluxo da energia, mas também a interação com a rede». Segundo Alexandre Cruz, o inversor permite gerir a acumulação de energia e os fluxos energéticos na UPAC, possibilitando decidir qual a altura ideal para colocar baterias em funcionamento, além de avaliar a melhor altura para injetar energia na rede ou ir buscar energia à rede.  

Qualidade dos módulos fotovoltaicos

A apresentação de Hugo Silva, da Lógica EM S.A., permitiu centrar as atenções nos módulos fotovoltaicos e nas respetivas normas de certificação de qualidade, tendo em conta os fatores e ameaças que podem causar a sua degradação. Hugo Silva alertou que, “à saída das fábricas, os módulos estão certificados, mas, até chegarem ao local onde serão instalados, podem sofrer alterações». Entre as ocorrências que podem colocar em causa a qualidade e eficiência dos módulos fotovoltaicos, Hugo Silva destacou o seu manuseamento incorreto no embalamento, no transporte e no momento da sua instalação, uma vez que os esforços mecânicos e o stress térmico podem causar uma diminuição da performance dos módulos, e também a formação de hotspots.
Como exemplo de um mau manuseamento, Hugo Silva recordou que um módulo pode suportar uma pressão até 5.400 pascal (Pa), que simula a pressão exercida pelo vento e a neve, “mas é frequente observarem-se técnicos em cima de módulos quando os estão a instalar. O efeito de uma pessoa de pé, com um peso de 80 quilos, num só módulo é de 16.300 Pa, o triplo da pressão máxima para o qual os módulos são certificados”, alertou. A par do mau manuseamento dos módulos fotovoltaicos aquando o seu transporte e instalação, estes estão ainda sujeitos, nalgumas situações, a condições atmosféricas exigentes, onde se verifica, por vezes, temperatura e humidade muito elevadas, além de outros aspetos como o nível de salinidade, que condicionam igualmente a sua performance.

Certiel Mobile: nova aplicação para Android

No período da tarde do Encontro Certiel 2015 foi anunciado o lançamento da Certiel Mobile, uma aplicação disponível para dispositivos Android, destinada a técnicos instaladores, onde é possível ter acesso, via tablet ou smartphone, a regras e fichas técnicas, consulta de pedidos de certificação de instalações elétricas, visualização de morada do local que pretendem certificar e consulta de referências para pagamento, entre outras. A par da aplicação Certiel Mobile, a associação certificadora de instalações elétricas passou a disponibilizar no seu portal o acesso às regras técnicas de instalações elétricas em baixa tensão para apoio aos técnicos instaladores, que as poderão consultar em caso de dúvida.          

Cabos das instalações elétricas fotovoltaicas: ameaças

Francisco Pedroso, em representação da empresa General Cable, abordou os tipos de cabos utilizados nas instalações elétricas fotovoltaicas face às condições e ameaças a que estão sujeitos, nomeadamente as variações térmicas muito elevadas, intempéries, comportamento ao fogo, presença de roedores, etc. No âmbito das instalações fotovoltaicas, Francisco Pedroso destacou a importância da utilização de cabos específicos para ligações entre caixas de ligação e ligações entre inversor e transformador, nomeadamente cabos do tipo FXZ13AZ / XZ1FA3Z-K (AS – alta segurança), que conferem proteção anti-roedores, dispondo de cabos armados a fita de alumínio corrugada, bem como a resistência a temperaturas variáveis, entre os -40ºC e os 90ºC, além da resistência aos raios ultra violeta e à absorção de água.

As expetativas do mercado

As expetativas do setor face aos consumidores domésticos foram analisadas por Pedro Geirinhas Rocha, diretor de Inovação e Tecnologia da EDP Comercial. A propósito do novo decreto-lei sobre o autoconsumo, a empresa lançou uma nova oferta que promove o autoconsumo com recurso à energia fotovoltaica. Pedro Geirinhas Rocha considera que “o interesse crescente em sistemas de produção distribuída resulta da sua competividade face aos custos de energia fornecida pela rede”. Para a EDP, também há vantagens, uma vez que, segundo Pedro Geirinhas Rocha, “é mais barato comprar energia a um painel fotovoltaico do que à rede”.
A visão e expetativas dos instaladores face à nova legislação sobre o autoconsumo foi partilhada por José Miguel Weinberg, em representação da Ikaros Hemera, uma empresa especialista no fornecimento e instalação de sistemas fotovoltaicos no setor empresarial. Entre os aspetos de maior importância para a atividade dos instaladores no novo contexto legislativo, José Miguel Weinberg destacou a necessidade de maior apoio às entidades instaladoras no esclarecimento de dúvidas em todo o processo, bem como uma clarificação relativamente à plataforma eletrónica e aos procedimentos de comunicação prévia, registo e licença de produção, além da disponibilização de ferramentas essenciais, como a minuta de contrato a celebrar com o CUR, tornando mais claro o processo de venda de energia nas UPAC e UPP, após instalação.
José Miguel Weinberg considera que a nova legislação para o setor fotovoltaico traz consigo uma alteração ao paradigma da produção e compra de energia em Portugal, uma vez que as empresas passam a poder produzir e consumir a sua própria energia, conquistando independência das oscilações dos preços da energia. O grande desafio do setor fotovoltaico é evitar que surjam maus dimensionamentos e, com isso, clientes insatisfeitos, pois, segundo este responsável, é importante que as empresas do setor analisem de forma estruturada a potência adequada a instalar nos seus potenciais clientes.
Por fim, antecedendo a realização dos trabalhos técnicos sobre os cenários analisados, José Manuel Chorão, Fernando Teixeira Mendes e Manuel Almeida, membros da direção da Certiel, encerraram o encontro, salientando o desafio e a missão assumida pela Certiel e pelos seus profissionais de colocar o seu know-how ao serviço da sociedade, assumindo, no entanto, que muito ainda há a fazer para promover a melhoria das instalações elétricas em Portugal.


 

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