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Atrasos nos pagamentos afetam manutenção e criação de emprego na Construção

10 de Outubro de 2014 às 17:03:57

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Uma em cada duas empresas do setor da Construção admite que os pagamentos em atraso estão a ter um impacto negativo na sua capacidade de manter ou empregar pessoas e contribuíram para não contratarem novos colaboradores.

De acordo com um novo white paper da Indústria com base no índice de pagamento europeu da Intrum Justitia 2014, na indústria da Construção, a nível europeu, apenas 51% das faturas são liquidadas no prazo de 30 dias. Os prazos de pagamento, os incobráveis e a liquidez das empresas diferem nos vários setores de atividade, mas a Construção é um dos mais afetados em Portugal.
Segundo o EPI 2014 Industry White Paper, 10ª edição do estudo da Intrum Justitia que inquire 10 000 empresas de 31 países europeus, as empresas de construção são as que mais sofrem com atrasos ou falta de pagamentos por toda a Europa. Cerca de 53% das empresas europeias afirma que os atrasos de pagamento têm um grande impacto no risco de negócio da empresa, 64% defendem que o não pagamento ou os atrasos impedem o seu crescimento.
O estudo revela uma forte correlação entre emprego e os atrasos de pagamentos. Por toda a Europa, os setores da construção, educação e saúde reconhecem que os atrasos nos pagamentos estão a ter um impacto negativo na sua capacidade de manter ou empregar pessoas.
Nas empresas de construção e no setor da Educação, na Europa, 50% referiram que, devido aos atrasos nos pagamentos, tiveram de cessar a contratação de novos colaboradores e um número significativo de empresas afirmou que este problema originou despedimentos (39% nas empresas de construção e 45% nas empresas do setor da Educação).
Em relação a Portugal, a situação agrava-se ainda mais, com o setor público a pagar as suas faturas às empresas de construção após os 149 dias, às empresas de media a 144 dias, às empresas de serviços financeiros a 137 dias e às empresas de utilities, como eletricidade e gás, a 93 dias.
Praticamente metade das empresas de construção no nosso País (48%) teve de despedir trabalhadores para contornar os problemas financeiros resultantes dos atrasos nos pagamentos. O mesmo cenário em relação às empresas de serviços financeiros (40%) e serviços empresariais (38%).
“Estes setores dependem largamente do setor público que paga mais tarde do que as empresas privadas e do que os consumidores. Acreditamos que esta é a principal causa dos problemas de liquidez nestes setores de atividade. Na Europa, a duração média de pagamento no setor público é de 58 dias, enquanto das empresas privadas pagam após 47 dias, em média, e os consumidores após 34 dias”, afirma Luis Salvaterra, diretor geral da Intrum Justitia.
“Os atrasos nos pagamentos subiram para níveis recordes e a consequência de tudo isto tem implicações diretas nos números do emprego e do investimento. O nosso estudo conclui, por exemplo, que 40% dos empresários não prevê contratar novos funcionários nem fazer qualquer investimento em investigação e desenvolvimento”, de acordo com Luis Salvaterra.
“A boa notícia é que os atrasos de pagamento estão agora na lista de prioridades dos governantes devido à introdução da Diretiva relativa aos atrasos. Por isso, espero ver resultados positivos a partir de agora, com a implementação da diretiva europeia em todos os países, de modo a contrariar os atuais números de desemprego nestes setores duramente afetados. A sua implementação é vital para o sucesso das empresas na Europa”, refere Luís Salvaterra.
O mesmo responsável acrescenta ainda que “o futuro das empresas e dos trabalhadores vai depender da sua capacidade de manter um controle firme sobre os custos através da implementação de processos de gestão de crédito altamente eficientes, de modo a contrariar os atrasos que se verificam em alguns setores com maiores problemas de liquidez, nomeadamente, aqueles que trabalham com o setor público onde a duração média de pagamento a nível europeu é de 58 dias”.

Dados sobre prazos de pagamento e consequências na contratação de funcionários:


 

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