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Setor elétrico declara guerra à contrafação e aposta na sensibilização dos consumidores

06 de Junho de 2013 às 17:27:04

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Notícias

A segurança dos cidadãos na utilização da energia elétrica é a grande preocupação dos players do setor, que reuniram na semana passada em Lisboa, no encontro da FISUEL – Federação Internacional.

O encontro, organizado pela CERTIEL – Associação Certificadora de Instalações Elétricas, juntou representantes das entidades certificadoras, de instaladores, de fabricantes de material elétrico, entre outros, provenientes de 16 países, e contou com a presença da diretora de Serviços de Eletricidade, Maria José Espírito Santo, em representação do Diretor Geral de Energia e Geologia.
No contexto daquela preocupação, a luta contra a contrafação de produtos e a sensibilização do consumidor foram, pois, consideradas primordiais, no sentido de garantir maior segurança elétrica a nível mundial.
Na ocasião, foram apresentados diferentes sistemas de inspeção das instalações elétricas e a situação atual do ponto de vista da sua segurança em Portugal, França, Brasil, Reino Unido, Bélgica, Coreia, Espanha, Nova Caledónia e Japão, sendo que vieram a Lisboa representantes dos principais players desta área nestes países e, ainda, da Argentina, Suíça, Camarões, Costa do Marfim, Malásia, Polónia e Senegal.

CERTIEL na vanguarda da sensibilização do consumidor

Deste encontro, “ficou a perceber-se que a CERTIEL está na vanguarda da sensibilização do consumidor, investindo no esclarecimento do público, a par de ações para o próprio setor, no sentido de diminuir o número de acidentes elétricos em Portugal”, considera Carlos Botelho, diretor-geral da CERTIEL.
Apresentando aos seus pares a campanha de sensibilização para a segurança elétrica, “Usar bem a energia é um dever de cidadania”, Sílvia Antunes, da CERTIEL, explicou que “é para os cidadãos que nós trabalhamos, para melhorar a utilização das instalações elétricas e para as tornar mais seguras”. “Aquilo que se pretende, e uma vez que não está prevista na lei portuguesa uma avaliação periódica da qualidade da instalação elétrica, é alertar e sensibilizar o cidadão para que verifique a sua instalação elétrica, que zele pela sua segurança”. Depois desta exposição, a presidente da FISUEL, Patricia Yerfino, considerou que “a CERTIEL é um bom exemplo de comunicação” para com o consumidor.
José Caldeirinha, da CERTIEL, apresentou alguns dados relativos ao estudo efetuado em Lisboa, Porto e Coimbra, de verificação das instalações coletivas em edifícios antigos, onde foram identificadas diversas situações de degradação destas instalações, criando potencial risco, quer do ponto de vista da segurança dos utilizadores, quer do ponto de vista da possibilidade de incêndio”, tendo concluído que “é urgente verificar as instalações coletivas e alertar os proprietários. Nestes casos, se alguma das incorreções existentes causar um acidente elétrico, este pode repercutir-se nos apartamentos do prédio, ou mesmo nos prédios vizinhos”.
O mais preocupante destas situações é que “ocorrem em prédios em pleno funcionamento, habitados ou de escritórios, que representam um grande número de edifícios dos centros históricos das cidades, que são antigos e que na sua maioria não são verificados há dezenas de anos”, acrescentou, por seu turno, Renato Marçalo, da CERTIEL, alertando para que, em muito casos, “a degradação das instalação elétrica é lenta e indetetável, especialmente para o consumidor, pelo que urge sensibilizar para a importância da verificação periódica das instalações elétricas por um especialista”.

Segurança elétrica rege atividade do setor a nível mundial

A contrafação e a atividade criminal são outros dos problemas que se impõem mundialmente, “sendo um risco real de segurança, com preocupantes incidências ao nível humano e material, no qual o controlo periódico e os equipamentos certificados têm, sem dúvida, um papel importante”, defendeu Patrick Aubelis, delegado geral da FISUEL. “A contrafação tem custos ao nível da saúde, estes produtos matam pessoas e é preciso trazer este assunto para a ordem do dia”, sentenciou.
Lembrando um incêndio recente com origem elétrica que ocorreu num cinema em Nova Deli, de que resultaram 59 vítimas mortais e que alertou as autoridades indianas para o problema da segurança das instalações elétricas, tendo estas solicitado a colaboração da FISUEL, Patricia Yerfino defendeu que “há que aperfeiçoar a definição de produto perigoso” e, também, que “não podemos deixar que este mercado continue a desenvolver-se mundialmente”.
O controlo periódico que os players do setor consideram ser determinante para a segurança dos utilizadores é já uma realidade, entre outros países, na Suíça, na Bélgica e em França. De salientar o caso da Coreia, onde a inspeção periódica das instalações de dois em dois anos se reflete num número de incêndios de origem elétrica extremamente reduzido, constituindo este controlo uma garantia para o consumidor atual, mas também para o comprador futuro do imóvel, na medida em que assegura que as instalações elétricas em exploração estarão permanentemente sob controlo.
Em Espanha, em que o controlo periódico (cinco anos) é já uma realidade em instalações recebendo público, procura-se promover a vistoria periódica no segmento residencial, porque, à semelhança do que acontece em Portugal, depois da sua entrada em funcionamento, a instalação elétrica doméstica não é alvo de qualquer verificação periódica obrigatória. Das análises que têm vindo a ser realizadas no país, em 2000, 64% instalações elétricas eram inseguras e 34% muito inseguras. Estes números justificam as campanhas de sensibilização que também em Espanha estão em marcha, sendo o objetivo tornar obrigatórias inspeções periódicas no setor doméstico.

Abordagem de 360º para aumentar prevenção dos acidentes

Martyn Allen, do Reino Unido, defendeu que, atualmente, o caminho é “a sensibilização e medidas de proteção e prevenção de acidentes elétricos”, porque uma “maior consciencialização confere maior proteção. A abordagem deve de ser de 360º, para aumentar a prevenção de acidentes elétricos”, afirmou.
Aubelis conclui que, “sendo o objetivo da FISUEL constituir-se como uma referência mundial em segurança elétrica e estando a segurança no cerne da sua atividade, a problemática é a mesma, independentemente do país”. O responsável defendeu a criação de um barómetro de segurança que possa promover a luta contra a contrafação, promover a normalização e o controlo periódico, a formação e a sensibilização dos técnicos e dos fabricantes e o alerta das autoridades em todo o mundo”.
No painel dedicado ao acesso à energia elétrica, Benoit Dôme, da Copper Alliance, defendeu que dar acesso a este bem, por exemplo, em bairros degradados, contribui para a sustentabilidade. “Quando não há acesso à eletricidade, fazem-se ligações ilegais, que, além de serem extremamente perigosas são muito ineficientes. “Disponibilizar soluções de eletricidade nos bairros desfavorecidos reduz o consumo, a contrafação, a poluição e os acidentes”, defendeu Dôme, preconizando esta solução e explicando que “é mais sustentável e equitativo proporcionar um programa destes”. Também Patricia Yerfino considera que “devemos trabalhar para que todos tenham acesso à eletricidade de forma segura, mais justa e equitativa, pois só assim pode haver progresso”.

 

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