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Batimat: a crise chega a todos

23 de Novembro de 2009 às 11:25:35

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Agenda

A edição deste ano da Batimat, que decorreu no início do mês em Paris, não conseguiu escamotear os sinais da crise, embora eles não sejam tão evidentes em França como têm sido nos países da Península Ibérica.

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Esta é uma crise global, cujos resultados se aferem pelo menor número de visitantes estrangeiros – nomeadamente por uma redução drástica da quantidade de portugueses que se deslocaram ao Parque de Exposições da Porta de Versailles – pelo menor investimento dos expositores, na sua maioria com stands mais pequenos e de orçamento mais contido, e até pela relativa escassez dos asiáticos, que nas últimas edições tinham enxameado a Feira.
Apesar de este ano - e pela primeira vez em muito tempo - sobrar espaço no recinto de exposições e haver até um pavilhão que ficou por utilizar, a afluência de visitantes atingiu patamares muito razoáveis e a Batimat apresentava sobejos motivos de interesse para justificar a deslocação a Paris de todos aqueles que ainda tivessem recursos para o fazer – o que aconteceu com diversas empresas portuguesas que, pelo menos aparentemente, deram por bem empregue o investimento efectuado.
Blocotelha, Ferpinta e até a Caixa Geral de Depósitos apresentavam stands em particular evidência. Mas Portugal ficou, neste domínio, muito aquém do que fizeram a Turquia ou o Brasil, que organizaram representações nacionais de nível muito interessante.
Ao contrário de Espanha, onde o enorme crescimento da actividade nos últimos dez anos levou ao ingresso nas empresas de construção de um número muito significativo de mulheres, em França esta actividade continua a ser tipicamente para homens, com a presença feminina na Feira a ser predominantemente assegurada pelos expositores e por estudantes.
Globalmente, as novidades concorrentes ao famoso “Concurso de Inovação” seguiam as tendências que têm caracterizado a evolução dos materiais destinados ao Sector: design, qualidade e melhoria do desempenho energético. Os estaleiros de obra são, cada vez mais, locais de montagem de gigantescos puzzles, com peças fabricadas industrialmente e cada vez mais complexas.

A nova face da indústria da Construção

“Os edifícios renovam-se” ou “ a nova face da indústria da construção” era, em francês e inglês, o bem conseguido slogan desta edição da Batimat.
De facto, nunca como agora, em presença desta crise que começou com o financiamento ao mercado imobiliário norte-americano, a Construção sentiu tanto a necessidade de se renovar, a todos os níveis: dar uma nova vida, novas capacidades e valências aos seus produtos, fundamentalmente aos edifícios, mas também renovar a imagem dos estaleiros de obra, tornando-os mais verdes, menos agressivos para a sua envolvente e mais organizados.
No fundo, há todo um trabalho de reabilitação a realizar, desde os edifícios que construímos e utilizamos até à estrutura e à imagem das próprias construtoras.

Reabilitação com novos materiais

Os franceses dispõem de uma considerável experiência no domínio da reabilitação de edifícios, tendo desenvolvido produtos e soluções para, mantendo tanto quanto possível o aspecto original, os dotarem de um nível de conforto elevado com preços relativamente acessíveis.
Desde janelas monobloco, com peitoris e caixas de estore integradas, aptas a serem montadas nas aberturas já existentes com um mínimo de adaptações, até telhas em PVC resistente aos UV, tanto em modelos do tipo “Marselha”, com encaixes, como em painéis de 1.20x1.20 que só muito de perto se nota serem inteiriços, de tudo se podia encontrar na Feira.
A Velux, por exemplo, tinha a decorrer uma campanha de substituição dos seus modelos com mais de 20 anos por outros novos, praticamente sem necessidade de ajustamentos e com muito melhor desempenho energético.

HoteisF1 revelam importância do Sector

A enorme relevância que o sector da Construção apresenta no conjunto da economia em todos os países desenvolvidos revela-se, por vezes, nos aspectos mais inesperados.
Assim, a presença muito destacada na Batimat dos “HoteisF1”, uma das marcas do grupo Accor, dono, entre outras, das cadeias Mercure e Ibis, era explicada pela direcção comercial do grupo pelo facto de mais de 30% dos seus clientes serem profissionais da construção, que usam estes práticos e económicos hotéis de uma estrela nas suas deslocações de carácter profissional.

Segurança em todas as vertentes

Os temas ligados à segurança, nas suas distintas vertentes, estavam particularmente em foco na exposição.
A segurança laboral era uma das preocupações mais evidenciadas por todos os expositores, quer apresentando produtos especificamente destinados a aumentá-la quer salientando os elevados padrões de segurança revelados pelos seus artigos.
A vedação, permanente ou temporária, dos estaleiros bem como a respectiva sinalização, organização e equipamento deu origem a um nicho de empresas especialmente vocacionadas para este segmento, as quais apresentam soluções eficientes, inovadoras e que permitem melhorar significativamente o aspecto exterior das obras.
Mas também as soluções de segurança ao nível dos edifícios, tanto residenciais como para outros fins, ocupavam um espaço considerável na Feira, com um aumento evidente dos produtos anti-intrusão (portões, vedações, portas-blindadas, detectores, sistemas de vídeo-monitorização, etc.).

Pouca domótica em comparação com a eficiência energética

Se a melhoria da eficiência energética e a oferta de soluções capazes de contribuírem para o seu aumento constitui um mercado em franca expansão, sobretudo em países de clima bastante mais frio do que o nosso, as soluções apresentadas eram predominantemente passivas, ou seja, consistiam na melhoria do isolamento térmico e no aumento das performances dos equipamentos de climatização e iluminação.
Apesar de toda a evolução verificada nos últimos anos, a domótica teima em não progredir de forma muito significativa ao nível dos edifícios residenciais, os quais persistem em ser dos últimos redutos que a informática ainda não invadiu – em termos da sua gestão e exploração, evidentemente.
Pelo contrário, no que concerne ao projecto e à gestão da construção, havia, como habitualmente, todo um pavilhão com soluções para as mais variadas aplicações.

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